Training agreement vs contrato de estágio vs convenio — clarificar a família de documentos
- Training agreement / Learning Agreement for Traineeships (LA-T) — documento do programa Erasmus+. Define o conteúdo de APRENDIZAGEM. Assinado pelo/a estagiário/a + IES de envio + entidade de acolhimento.
- Contrato de estágio / Convenio de Prácticas (Espanha) / Convention de stage (França) / Convenzione di tirocinio (Itália) — documento jurídico nacional exigido pelo direito laboral do país de acolhimento. Define a relação JURÍDICA.
- Grant agreement (acordo de subvenção) — documento bilateral entre o/a estagiário/a e a IES de envio. Define a relação FINANCEIRA e as tranches da bolsa.
- Regra prática: irá assinar os três. Cada um cobre uma camada diferente (aprendizagem, jurídica, financeira) e nenhum substitui os outros.
| Documento | Camada | Assinado por | Se estiver em falta |
|---|---|---|---|
| Learning Agreement for Traineeships (LA-T) | Conteúdo de aprendizagem + ECTS | Estagiário/a + IES de envio + entidade de acolhimento | A mobilidade não pode ser reconhecida como Erasmus+ |
| Contrato nacional de estágio (convenio / convention / convenzione) | Relação jurídica segundo o direito laboral do país de acolhimento | Estagiário/a + entidade de acolhimento (+ IES em muitos países) | A entidade de acolhimento pode infringir a lei nacional; falhas de seguro |
| Grant agreement | Financeiro — valor da bolsa, tranches, complementos | Estagiário/a + IES de envio | Sem desembolso da bolsa |
Quem assina e quando
- Estagiário/a — assina primeiro, depois de acordar o programa proposto com a entidade de acolhimento.
- Entidade de acolhimento — assina em segundo lugar, através do/a supervisor/a designado/a.
- IES de envio — assina por último, através do/a coordenador/a Erasmus da faculdade de origem.
- As três assinaturas têm de estar reunidas ANTES da data de início da mobilidade para que o estágio seja elegível como Erasmus+.
O que o training agreement deve conter
O modelo-padrão da Comissão (obrigatório desde 2022) tem três secções.
- Secção A — «Antes da mobilidade». Detalhes do programa: número de horas de trabalho semanais, tarefas, conhecimentos/aptidões/competências a adquirir, plano de acompanhamento, método de avaliação, reconhecimento (ECTS ou um registo documentado no Suplemento ao Diploma).
- Secção B — «Durante a mobilidade» (usada apenas em caso de alterações). Ambas as partes voltam a assinar qualquer alteração material no prazo de 4 semanas após a mudança.
- Secção C — «Depois da mobilidade». Certificado de Estágio da entidade de acolhimento que confirma as datas reais de início/fim, as horas, as tarefas realizadas e uma avaliação do/a supervisor/a.
Porque é que algumas entidades de acolhimento hesitam em assinar
Algumas empresas de acolhimento — sobretudo pequenas ou não académicas — acham o modelo intimidante. Três dicas práticas ajudam a fechar o processo.
- Envie o modelo pré-preenchido com o nome, a morada e o/a supervisor/a da empresa — a maioria das entidades hesita por não conhecer a formulação adequada.
- Explique que a entidade de acolhimento se compromete apenas a proporcionar a experiência de aprendizagem, NÃO a uma obrigação de pagamento (distinta de um eventual subsídio).
- Ofereça o link de assinatura digital da EWP, se a sua universidade o utilizar — elimina a fricção de imprimir e digitalizar.
Alterações após a assinatura
- Qualquer alteração material — data de início/fim, supervisor/a, tarefas, horário de trabalho — exige que a Secção B seja assinada pelas três partes no prazo de 4 semanas.
- Correções administrativas menores (gralhas, número de gabinete) não exigem nova assinatura.
- Cancelamento antes da mobilidade — o acordo é anulado; não é devida qualquer bolsa.
- Cessação antecipada durante a mobilidade — o acordo é encerrado com a data de fim real; a bolsa é calculada proporcionalmente.
Reconhecimento após o estágio
- O Certificado de Estágio (Secção C) é o documento que a sua faculdade de origem utiliza para atribuir os ECTS ou registar a mobilidade no Suplemento ao Diploma.
- O reconhecimento dos ECTS deve respeitar os resultados de aprendizagem acordados — a sua faculdade não pode recusar legitimamente ECTS assumidos na Secção A.
- Se a sua faculdade se recusar a reconhecer os resultados acordados, escale a questão ao/à coordenador/a institucional Erasmus e, se necessário, à Agência Nacional.
O training agreement fora do Erasmus+
O termo «training agreement» é também usado fora do contexto Erasmus+. A estrutura é semelhante, mas o efeito jurídico é diferente.
- Os contratos de aprendizagem (apprenticeship no Reino Unido, Ausbildungsvertrag na Alemanha, contrat d'apprentissage em França) são contratos de trabalho remunerados com obrigações de formação — muito mais exigentes do que um LA-T Erasmus.
- Os acordos de formação empresarial obrigam o/a colaborador/a a reembolsar os custos de formação caso saia dentro de um período de fidelização. Não têm relação com o Erasmus.
- Os contratos de formação em profissões regulamentadas (por exemplo, estágios de advocacia) são percursos de qualificação específicos de um setor.
Se um recrutador ou uma entidade de acolhimento mencionar um «training agreement» num contexto Erasmus+, refere-se quase sempre ao Learning Agreement for Traineeships.
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Perguntas frequentes
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Páginas do site da Piktalent que aprofundam os temas acima abordados.
Guias e recursos relacionados
- Learning Agreement for Traineeships — guia para coordenadoresAnálise aprofundada para coordenadores de mobilidade.
- Como candidatar-se a um estágio Erasmus+Onde o LA-T se enquadra em todo o percurso de candidatura.
- Como validar uma entidade de acolhimento ErasmusVerifique a entidade de acolhimento antes de enviar o modelo para assinatura.
- Para estudantes — apoio premiumPré-preenchemos e acompanhamos as assinaturas do LA-T por si.
Referências
Fontes oficiais citadas neste artigo. Todos os links abrem num novo separador.
- Modelo de Learning Agreement for Traineeships — Comissão Europeia
- Guia do Programa Erasmus+ 2026 — Comissão Europeia
- Rede Erasmus Without Paper — European University Foundation
- Guia de utilizadores ECTS 2015 — Comissão Europeia
Sobre os autores
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Este guia é escrito pela equipa editorial e de colocação da Piktalent. A Piktalent é a marca de mobilidade do The Student Mobility Group, que organiza estágios internacionais e mobilidades Erasmus+ desde 2009. Colocamos estudantes em empresas de acolhimento na Europa e nos Estados Unidos, assinamos os learning agreements, verificamos as entidades e acompanhamos os participantes no terreno: os procedimentos aqui descritos são os que aplicamos, não um resumo de outros sites.
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